terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Novo site


Prezados,

Com muita satisfação eu os convido para, a partir de agora, acessarem nosso conteúdo em www.qualidadeesegurancadopaciente.com

Nos encontramos por lá!

Grande abraço,

Andréa Drumond

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Força de trabalho competente e capaz
Por Andréa Drumond


O ‘coração’ de uma empresa está em sua força de trabalho. São os colaboradores que ajudam uma instituição a crescer e ser reconhecida como referência. No campo da Saúde, a força de trabalho competente e capaz é fundamental para a prestação do serviço, com qualidade e segurança. Tanto que há critérios internacionalmente recomendados nesse aspecto. É sobre eles que vamos falar agora.

Inicialmente, vale destacar que é papel de uma instituição de saúde é garantir que seus profissionais tenham credenciais válidas para atuarem no cuidado aos pacientes, desenvolvendo processos para recolher, verificar e avaliar estas credenciais de seus médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde de nível superior. Isto significa que a instituição deve providenciar a verificação na fonte primária das credenciais (diplomas e certificações) de seus profissionais, para autorizá-los a prestar serviços para pacientes.

Cabe ainda a instituição, desenvolver um conjunto de medidas para assegurar a capacitação, orientação e educação continuada de sua força de trabalho, definindo processos para garantir o conhecimento e as habilidades dos profissionais clínicos e não clínicos que atendam às necessidades da instituição. Este processo deve incluir também o treinamento nas técnicas de ressuscitação, para garantir o suporte à vida de forma apropriada, quando necessário.

É importante salientar que a instituição deve desenvolver procedimentos para descrever as responsabilidades e designações de cada profissional, com base nas suas credenciais, instituindo medidas para a avaliação de desempenho ao longo de todo o período de exercício profissional. Assim, a qualificação deve ser tomada como algo perene que se modifica, se aprimora e se desenvolve ao longo do tempo.

A importância dessa temática é tão valorosa para instituições de saúde de qualquer porte, que o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) - representante exclusivo da maior agência verificadora da qualidade em saúde no mundo, a Joint Commission International (JCI) -, dedicou um capítulo exclusivo sobre esses critérios nas recomendações de seu novo produto: o "Fundamentals for Care", voltado para instituições não acreditadas que desejam seguir padrões mínimos de qualidade e segurança.

Padronizar e uniformizar os processos e procedimentos é requisito para a melhoria da qualidade e segurança do paciente. Por isso, a instituição deve garantir que os arquivos pessoais de cada membro da equipe estejam organizados e mantidos atualizados de acordo com a política do hospital, assegurando ainda o registro das avaliações de desempenho individual e treinamentos. Desta forma, poderá avaliar e planejar continuamente a estratégia de recursos humanos, conforme necessário.

Sabemos que errar é humano e que, em todo o mundo, observam-se elevadas taxas de incidentes derivadas da prática do cuidado não sistematizado. Um incidente pode acarretar em dano ao paciente, incluindo o dano permanente ou morte. Assim, o processo de busca da melhoria da qualidade e segurança deve contemplar a sistematização dos processos para garantir as barreiras para reduzir a possibilidade e a ocorrência de incidentes e, principalmente, atingirem o paciente. Assegurar as melhores práticas é papel da instituição que almeja alcançar a qualidade. Não é incomum que se administre medicação incorreta no paciente, por conta de uma identificação falha, por exemplo, ou operar o paciente errado ou o local de procedimento errado. Também não é nada incomum, pacientes adquirirem infecções relacionadas à assistência à saúde, em decorrência de falhas nas técnicas e processos de higienização das mãos dos profissionais que prestam o cuidado. Daí a importância de implementar os Protocolos Básicos de Segurança do Paciente e se estabelecerem procedimentos para sistematizar e uniformizar a prestação do cuidado, os registros das informações e a redução dos riscos, entre outros.

Não podemos falar em melhoria da qualidade e segurança sem abordar a educação permanente, continuada. Profissionais devem passar por treinamentos de reciclagem com a frequência definida pela instituição, ou a cada dois anos. A instituição também deve definir seu Time de Resposta Rápida que será capacitado e reciclado periodicamente nas técnicas de ressuscitação e protocolos para atuar no atendimento imediato, nos casos de emergência. Instituições de saúde que contam com estudantes e estagiários precisam conhecer seu nível de formação, definir suas competência e atribuições, além de identificarem e supervisionarem adequadamente essa força de trabalho. Ou seja, a instituição deve assegurar um bom programa de treinamento, com supervisão e conteúdo que contenham os aspectos previstos no Programa de Melhoria da Qualidade e Segurança e Gerenciamento de Riscos e os mesmos sejam avaliados com base no Programa.

Se a força de trabalho é de tamanha importância para uma organização de saúde, é tal qual importante cuidar da saúde de tamanha “riqueza”. Existem inúmeros estudos relatando os riscos envolvidos quando profissionais fora de condições de trabalho, exauridos, estafados, com problemas emocionais, desenvolvem suas funções. A sobrecarga de trabalho também é um fator precipitador de erros e do aumento a mortalidade nos serviços de saúde. Assegurar a segurança do profissional e sua saúde e integridade, prevenindo e mitigando a exposição aos riscos ocupacionais é essencial para proporcionar um atendimento seguro ao paciente.

A instituição que busca a melhoria da qualidade e segurança deve desenvolver um programa proativo para identificar e reduzir os riscos de segurança para os profissionais, e também monitorar as medidas sobre esta exposição e sobre riscos e injúrias ocupacionais para demonstrar a melhoria. Um bom programa abrange aspectos como a melhoria da saúde e qualidade de vida, controle do tabagismo, monitoramento de acidentes no trabalho, prevenção e monitoramento dos riscos ocupacionais e do ambiente, entre outros.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sobre o Núcleo de Segurança do Paciente...

Olá à todos.
Como já abordamos aqui no blog, com a publicação do Programa Nacional de Segurança do Paciente e da RDC nº 36/2013, passou-se a vigorar um conjunto de recomendações para:

1.Estruturação do Núcleos de Segurança do Paciente (NSP).
2.Elaboração e apoio à implementação de protocolos, guias e manuais de segurança do paciente.
3.Envolvimento dos pacientes e familiares nas ações de segurança do paciente.
4.Produção, sistematização e difusão de conhecimentos sobre segurança do paciente.
5.Ampliação do acesso da sociedade às informações relativas à segurança do paciente.
6.Fomentação a inclusão do tema segurança do paciente na formação de RH (ensino técnico, graduação e pós-graduação) na área da saúde.
7.Incentivo à estruturação de ações para gerenciamento de riscos, instituindo medidas para a notificação e  investigação de incidentes e Eventos Adversos em Saúde (EAS).
8.Produção de informação em saúde, criando uma base de dados, para análise e planejamento de ações relacionadas à 
9.Avaliação do estágio de maturidade e fortalecimento da cultura de segurança nos serviços de saúde.


   
     A estruturação e desenvolvimento das atividades do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) ganhou pauta nas discussões, mas, ainda, com muitas dúvidas sobre por onde começar, como estruturar, como agir... Como esta é uma medida relativamente recente, vou procurar apresentar aqui, com alguma sistematização, algumas medidas que podem ajudar e orientar este processo:
  • Tendo em vista o caráter estratégico e articulador, é aconselhável que o NSP esteja vinculado organicamente à direção e que tenha uma agenda periódica com a direção médica, de enfermagem, farmácia, apoio diagnóstico e outras áreas estratégicas.
  • A Direção do Serviço de Saúde é responsável pela nomeação e composição do NSP, conferindo aos seus membros, autoridade, responsabilidade e poder para executar as ações do Plano de Segurança do Paciente (PSP).
  • O funcionamento do NSP é compulsório, cabendo aos órgãos de vigilância sanitária local (municipal, distrital ou estadual) a fiscalização do cumprimento dos regulamentos sanitários vigentes.
  • O NSP deve contar, preferencialmente, com representantes que tenham experiência nas áreas de controle de infecção, gerenciamento de risco, epidemiologia, farmácia hospitalar, qualidade e segurança do paciente, entre outras. 
  • Outros profissionais devem ser identificados e envolvidos, tais como, gerentes, chefes de unidades e profissionais respeitados e influentes ou que se destacam em uma determinada área, e que podem envolver outros profissionais no tema Segurança do Paciente. 
  • O Coordenador do NSP é o principal contato da instituição com a equipe do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS).  Para desempenhar esta função é recomendada a indicação de um profissional vinculado à instituição, com disponibilidade de tempo contínuo e com experiência em qualidade e segurança do paciente, contando com boa aceitação pela equipe multiprofissional
  • De acordo com o Art. 5º da RDC nº36/20137, a direção do serviço de saúde deve disponibilizar de recursos humanos, financeiros, equipamentos, insumos e materiais necessários para o funcionamento sistemático e contínuo do NSP. 
  • O Núcleo de Segurança do Paciente é responsável pela elaboração do Plano de Segurança do Paciente, que deve ser validado e aprovado pela alta direção, por se tratar de um documento institucional, e deve ser implementado. 
  • É importante realizar um planejamento e instituir uma agenda de reuniões para discutir as ações e estratégias para a elaboração e desenvolvimento do Plano de Segurança do Paciente, e estas reuniões devem estar devidamente documentadas (atas, memórias, lista de presença e outros).
  •  É crucial para a melhoria de processos e promoção da cultura de segurança do paciente que o Serviço de Saúde realize reuniões regulares com as demais instâncias que gerenciam aspectos da qualidade, reguladas por legislação específica, tais como, a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), Comissão de Revisão de Óbito, Comissão de Revisão de Prontuário, Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT), Comissão de Nutrição e Suporte Enteral/Parenteral, Comissão de Curativos, Comissão de Padronização de Materiais, Gerência de Risco, Núcleo de Saúde do Trabalhador, entre outras. 
  •  A capacitação dos profissionais que atuam nos serviços de saúde no tema “Segurança do Paciente” deverá ocorrer durante o período da jornada de trabalho, necessitando apresentar as evidências desta capacitação, podendo a comprovação se dar através de  documento com data, carga horária, conteúdo programático, nome e formação do instrutor e nome e assinatura dos profissionais capacitados. 
  • O conteúdo mínimo desta capacitação deve conter os seguintes temas: Conceitos da Qualidade e Segurança do Paciente; Regulamentações sobre Qualidade e Segurança do Paciente; Princípios Básicos em Segurança do Paciente; Tipos de Eventos Adversos (EAs) relacionados à assistência à saúde; Protocolos de Segurança do Paciente; Indicadores de Segurança do Paciente; Estratégias para a Melhoria da Qualidade e Segurança; Cultura de Segurança; Diretrizes, atribuições e funcionamento do Núcleo de Segurança do Paciente; Plano de Segurança do Paciente; Gestão de Riscos; Sistema de Notificação de Incidentes; Investigação do incidente; Ferramentas da Qualidade e Mapeamento e Análise de Riscos (Exemplo: Brainstorming, Plano de Ação 5W3H, PDCA, Análise de Causa-raiz; Análises dos Modos de Falha – FMEA e etc). 
  • Para a implementação dos Protocolos Básicos de Segurança do Paciente podem ser estruturados grupos ou times de trabalho, com representantes das áreas, para apoiar e monitorar as atividades necessárias. 
  • É importante que sejam desenvolvidas estratégias para a comunicação e sensibilização de todos os profissionais do Serviço Saúde. 
  • Como o NSP deve notificar os incidentes e eventos adversos dentro dos prazos estabelecidos pela RDC nº 36/2013, para a notificação dos Incidentes e eventos Adversos à ANVISA é preciso que o Serviço de Saúde proceda seu cadastramento junto ao Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária – NOTIVISA. 
  •  A notificação de incidentes e/ou eventos adversos deve ser realizada mensalmente pelo NSP, até o 15º (décimo quinto) dia útil do mês subsequente ao mês de vigilância, por meio da ferramenta eletrônica disponibilizada pela ANVISA. Os eventos adversos que evoluírem para óbito devem ser notificados em até 72 (setenta e duas) horas a partir do ocorrido. 
  • O NSP deverá estabelecer um processo para que os serviços e setores notifiquem os incidentes relativos à assistência à saúde, ocorridos nos serviços de saúde. A adoção de uma ficha de notificação, em papel ou meio eletrônico, é a forma recomendada para que a notificação possa ocorrer. Cabe ao NSP elaborar a ficha de notificação com os campos para preenchimento das informações necessárias para o relato/descrição do incidente. 
  • É preconizado que sejam selecionadas as medidas para monitoramento dos processos (Indicadores) e que se estruture, se possível, painéis de acompanhamento. Estas medidas devem ser monitoradas sistematicamente, e avaliadas sob o ponto de vista do desempenho (analise das variações dos resultados). Após a avaliação dos resultados é recomendada a elaboração, sempre que necessária, dos planos de melhoria em conjunto com os setores envolvidos. 
  • Uma medida importante é assegurar o feedback para as áreas envolvidas dos resultados das análises dos indicadores, do monitoramento dos planos de ação, das atividades desenvolvidas pelo NSP.
  •  A emissão de relatórios sistemáticos para as direções e gerências dos serviços de saúde, com as informações estratégicas para o apoio à gestão, é uma importante medida que deve ser adotada.

Agora, mãos à obra, porque a estruturação/implantação do Núcleo de Segurança do Paciente é obrigatória e será de grande relevância para a melhoria da qualidade e segurança de pacientes (e profissionais) nos Serviços de Saúde!

Em resumo, lembre-se:
  • Estabeleça e formalize o NSP com o apoio da direção do serviço de saúde.
  • Identifique e garanta o apoio de líderes e profissionais influentes, envolvendo-os nas ações e estratégias de segurança do paciente.
  • Elabore uma agenda com os integrantes do NSP e representantes de demais instâncias do serviço de saúde. 
  • Defina atividades e elaboração do PSP.
  • Determine a melhor forma de comunicação com os integrantes do NSP e divulgação do PSP.
  • Estabeleça o sistema de notificação de incidentes e eventos adversos e providencie o cadastramento do NSP junto à ANVISA.
  • Selecione as medidas de monitoramento e acompanhe os resultados do desempenho, elaborando planos de melhoria sempre que necessário.

Espero ter contribuído. Podem comentar e adicionar outras sugestões ou recomendações, ok?!
Forte abraço!
Andréa Drumond



domingo, 15 de junho de 2014

Uma rápida abordagem à Cultura de Segurança nos Serviços de Saúde. Importante avaliar e fortalecer!

A abordagem à cultura de segurança é relativamente recente no Brasil, mas a temática vem ganhando destaque com o reconhecimento de que os serviços de saúde são ambientes com riscos, em potencial. 
A partir deste reconhecimento, as organizações passaram a incorporar ações, protocolos e medidas para identificar, prevenir, mitigar os riscos relacionados ao cuidado aos pacientes, ao ambiente e etc.
Falar sobre Cultura de Segurança é um importante passo para a construção de organizações mais eficientes, para proporcionar um cuidado efetivo, de qualidade, seguro. 
A decisão de avaliar e discutir a cultura de segurança representa uma atitude de maturidade, oportunidade, para a construção de uma base consistente para compreender e planejar as iniciativas e o caminho a tomar em busca da Melhoria (contínua) da Qualidade e Segurança do Paciente nos Serviços de Saúde.
Os slides a seguir são parte de uma aula que ministrei em um Hospital no MS, onde mais de 80 pessoas estavam presentes, preocupados com quais passos dariam em direção à qualidade.
Compartilho com vocês!
Espero que sirvam para a reflexão.
Abraços. 
Andréa Drumond  













                                          (Fonte: Esquema de adaptação dos principais grupos de atividades da gestão da     qualidade à gestão da segurança do paciente, in Caderno ASSISTÊNCIA SEGURA: UMA REFLEXÃO TEÓRICA APLICADA À PRÁTICA, Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde.)


















quinta-feira, 10 de outubro de 2013


Recentemente, tivemos mais uma notícia divulgada pela midia sobre um Evento Adverso* (neste caso, SENTINELA) em um Hospital no RJ, e um Hospital Universitário, que tem por missão ensinar. Contudo, muitos hospitais, no Brasil e no mundo, já viveram e vivem situações como esta.

Sabemos que "Errar é Humano" e todos somos suscetíveis ao erro. Justamente por isso, é importante que haja investimento consistente na segurança dos processos assistenciais!
O que é desolador é reconhecermos que, mesmo com grande esforço, encontramos, muitas vezes, a resistência tanto de gestores quanto dos profissionais da saúde, para a implementação da CULTURA DE SEGURANÇA, que salva vidas!

Como nos diz John J. Nance, escritor, advogado e ex-piloto militar e comercial e fundador da Associação Nacional de Segurança do Paciente dos Estados Unidos, precisamos abandonar a cultura presunçosa de que o ser humano pode trabalhar sem cometer erros...


Neste momento em que o MS publica os PROTOCOLOS BÁSICOS DE SEGURANÇA DO PACIENTE (abaixo), a implantação e monitoramento dos mesmos deve ser o máximo compromisso de todos nós. O Protocolo da Cirurgia Segura bem implementado, previne este tipo de evento adverso e SALVA VIDAS!!!
"Cirurgias Seguras salvam vidas" (Campanha da OMS)

Este é o momento para implantarmos os protocolos, que dependem, basicamente, de ações locais...

"Doutores", enfermeiros, gestores, profissionais da saúde em geral, por favor, não banalizem estas atitudes tão importantes!!!! A Segurança do Paciente é Segurança de todos os Profissionais!

"Vamos seguir juntos nesta estrada..."
|ERRO MÉDICO|

O CBN RIO deste sábado começa em instantes e vamos começar falando sobre o homem vítima de erro médico no hospital Pedro Ernesto. Antonio Cesar Victorio teve a perna direita amputada, mas a perna com problema era a esquerda. A esposa dele vai conversar conosco. Ouça pelo dial ou pelo site da CBN.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Iniciativas Brasileiras para a Segurança do Paciente

Pressionado por um conjunto de demandas de profissionais e segmentos da saúde e outras áreas, e pressões da mídia, o Ministério da Saúde lançou, em 1º de abril deste ano, e não é mentira(!), o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP)  como reconhecimento às necessidade já apontadas em todo o mundo, envidando esforços para que, em nosso país, gestores e profissionais da saúde, assim como pacientes, sociedades organizadas e a sociedade de forma geral passem reconhecer a necessidade e urgência do tema.  

O PNSP foi criado com o objetivo de promover melhorias relativas à segurança do paciente, de forma a prevenir e reduzir a incidência de eventos adversos, decorrências da prestação do cuidado nos serviços de saúde e muitos esforços contribuíram para esta iniciativa, dentre eles as produzidas em unidades e instâncias do próprio Ministério da Saúde (MS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), inclusive ações em conjunto com a Organização Panamericana de Saúde (OPAS).


Uma das principais ações preconizadas pelo PNSP será a obrigatoriedade da criação/implantação de Núcleos de Segurança do Paciente nos hospitais e serviços de saúde, cuja  finalidade é planejar e implementar ações para a promoção de uma assistência segura, com a adoção de protocolos e medidas para a melhoria da qualidade e segurança da assistência ofertada aos pacientes. 

Também passará a ser obrigatória a notificação mensal de eventos adversos associados à assistência à saúde e a Anvisa, respaldada na experiência acumulada pela Rede Sentinela (representada por  um conjunto de hospitais capitaneados e coordenados pela Agência, que atuam através de suas gerências de risco desenvolvendo ações de vigilância na pós comercialização de medicamentos, tecnologias e dispositivos médicos, saneantes e produtos para a saúde e no uso de sangue e hemoderivados), será o canal oficial para a notificação de incidentes e eventos adversos relacionados à assistência ao paciente, através de formulário próprio.

Esta medida deve contribuir para a criação de um Sistema Nacional de Vigilância de Eventos Adversos à Saúde, como os que já existem em vários países em todo o mundo, tais como Espanha, Portugal e etc. 

Além disso, foram desenvolvidos seis Protocolos de Segurança do Paciente, que  abordam os seguintes temas: higienização das mãos, cirurgia segura, prevenção de úlcera por pressão, identificação do paciente, prevenção de quedas e Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Estes Protocolos, cuja elaboração esteve sob a coordenação da equipe do PROQUALIS, estiveram sob consulta pública até o mês de junho e serão validados após a análise das contribuições encaminhadas e, posteriormente, publicados, recomendados para a implementação pelos serviços de saúde.

  
O Programa estabeleceu, ainda, a criação do Comitê de Implementação do Programa Nacional de Segurança do Paciente (CIPNSP), composto por representantes do governo, da sociedade civil, de entidades de classe e universidades, que vem discutindo e deliberando sobre as estratégias para promover e apoiar outras iniciativas voltadas à segurança do paciente em diferentes áreas da atenção à saúde. O Comitê é, também, referência para a tomada de decisão e apoio à implantação do PNSP.

É muito verdade que, anteriores ao lançamento do Programa, várias iniciativas na área já vinham sendo desenvolvidas em muitos lugares, e que impulsionaram a criação do PNSP. Entre elas podemos destacar:

A criação do Portal Proqualis, capitaneada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e tecnológica (Icict), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio e financiamento da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde, foi um importante elemento para estabelecer a segurança do paciente na pauta das discussões, até então, já que este Portal estrutura-se como um núcleo de difusão do conhecimento relacionado à qualidade do cuidado na saúde e a temas de interesse social e científico nesse campo, visando, sempre, o aperfeiçoamento das práticas adotadas na área, agregando uma gama de informações propagando recomendações e experiências nacionais e internacionais para a qualidade e segurança na saúde. 


Também a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA/MS), por meio da Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) instituiu o Grupo de trabalho para a Segurança do Paciente e Melhoria da Qualidade dos Serviços de Saúde, com uma sequencia ordenada de atividades voltadas para a segurança do paciente e da qualidade em serviços de saúde e este grupo conta com a participação de representantes de instituições de saúde,  Secretarias de Saúde e áreas do Ministério da Saúde, além de hospitais de excelência, como o hospital Israelita Albert Einstein, ANS e Universidades.
No final do ano de 2012, a Anvisa lançou a Campanha Pacientes pela Segurança do Paciente, que estimula e encoraja pacientes a participarem de forma mais ativa e consistente do seu tratamento e processo de cuidado.




Uma outra iniciativa também importante foi criação, em fevereiro de 2012, da Câmara Técnica da Qualidade e Segurança dos Hospitais Federais no Rio de Janeiro (CTQS/HFRJ/DGH/SAS/MS), uma instância colegiada, de natureza consultiva e deliberativa, vinculada tecnicamente à Coordenação Geral de Assistência (CGA) do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, com o objetivo de desenvolver, subsidiar e apoiar as iniciativas para a melhoria da qualidade e segurança no âmbito dos Hospitais e Institutos Federais.
A Câmara Técnica da Qualidade e Segurança, com o apoio da Assessoria de Comunicação do DGH lançaram a Campanha das Metas Internacionais de Segurança do Paciente (MISP), que serviu de inspiração para a criação da campanha do PNSP.


Muitas outras ações espalhadas pelo Brasil afora merecem ser destacadas e cada vez mais fortalecidas... Todas estas ações buscaram o respaldo nas iniciativas para a implementação recomendadas pela Aliança Mundial para a Segurança do Paciente para áreas específicas, nas áreas de ação recomendadas pela OMS, já mencionados no "post" anterior. Vamos lá, relembrar algumas destas áreas que motivaram muitas ações:

- Área 1: Desafios Globais para Segurança do Paciente
O primeiro desafio global para segurança do paciente iniciou em 2005 com foco no cuidado a saúde associado à prevenção de infecções, com o tema “Cuidado Limpo é Cuidado Seguro”. Em 2007-2008 o segundo desafio estava focando o tópico cirurgia segura com o tema: “Cirurgia Segura Salva Vidas”. 
O trabalho do terceiro desafio global para segurança do paciente “Enfrentando a Resistência Antimicrobiana” começou em 2009 e foi lançado em 2010.
O Brasil é signatário destas recomendações da OMS, tendo assinado a adesão aos desafios globais propostos.

- Área 2: Pacientes pela Segurança do Paciente
Atualmente, no Brasil, a ANVISA vem desenhando proposições e ações para o desenvolvimento desta área com a criação do projeto Pacientes pela Segurança do Paciente em Serviços de Saúde.

- Área 6: Soluções para Segurança do Paciente
Intervenções ou ações para prevenir ou reduzir risco e dano ao paciente decorrente do processo de cuidado à saúde. As soluções promovidas foram disseminadas e coordenadas internacionalmente pelo Centro Colaborador da Organização Mundial de Saúde (WHO/JCI) e deram origem às Metas Internacionais de Segurança do Paciente, já abordadas anteriormente.

•Solução 1 - Medicamentos com nome e som do nome semelhantes (Look-Alike, Sound-Alike Medication Names).
Uma causa comum de erro de medicação é a confusão gerada por medicamentos com nomes parecidos e/ou embalagens com aparência semelhante. Em mais de cinco mil casos de erros de medicação relatados nos Estados Unidos na década de 1990, 16% foram devidos à administração de medicação errada. Além de recomendações para minimizar a confusão dos nomes dos medicamentos, é de suma importância a educação e o treinamento dos profissionais para reduzir o risco de erro.

•Solução 2 - Identificação do paciente.
As falhas na correta identificação do paciente levam com frequência a erros de medicação e de transfusão de hemoderivados, à realização de procedimentos no paciente errado e à alta de bebês com a família errada. Para minimizar esse problema devem ser utilizadas estratégias e intervenções simples para identificação dos pacientes ou dos bebês.

•Solução 3 - Comunicação durante a passagem de plantão e a transferência do paciente.
A complexidade envolvida no cuidado ao paciente, seja pela incorporação tecnológica, seja pelas características e gravidade do quadro clínico do paciente, requer não só uma abordagem multiprofissional e interdisciplinar, mas também uma participação efetiva do próprio paciente e seus familiares. Dessa forma, a adequada comunicação torna-se fundamental para evitar problemas que podem resultar em sérios danos, por causarem descontinuidade no cuidado e até tratamento inadequado.

• Solução 4 - Realização de procedimentos corretos nos locais corretos.
Os casos de procedimentos ou cirurgias na parte errada do corpo ocorrem e são considerados totalmente evitáveis. Resultam de falhas de comunicação e informação, além de falta de padronização nos procedimentos.
A principal estratégia para reduzir as ocorrências de dano aos pacientes relacionadas à cirurgia é a implantação do uso de uma Lista de Verificação (checklist), preparada por especialistas para auxiliar as equipes cirúrgicas. A lista de verificação padroniza os itens a serem garantidos nas seguintes etapas: antes da indução anestésica, antes da incisão na pele e antes de o paciente sair da sala cirúrgica. Para que obtenha êxito, essa solução requer o engajamento da liderança gerencial e clínica, além dos profissionais envolvidos no cuidado.
O Brasil tornou-se signatário dessa estratégia da OMS em 2008.

• Solução 5 - Controle de soluções concentradas de eletrólitos.
As soluções eletrolíticas concentradas merecem especial atenção devido à sua grande utilização e ao alto risco de dano ao paciente, inclusive morte, associado ao uso inadequado.  Devem, portanto, ser armazenadas e manipuladas de forma controlada e segura.

• Solução 6 - Garantir a adequação da medicação em todo o processo de cuidado
Erros de medicação são uma das causas mais freqüentes de incidentes que levam ao dano ou à morte de pacientes. Esses erros são mais comuns nos momentos de transferência da responsabilidade pelo paciente, principalmente na alta hospitalar. Em alguns países, 67% das prescrições contêm algum erro, sendo que 46% dos erros de medicação ocorrem na admissão ou na alta. Deve ser constituído um processo para prover medicamentos corretos aos pacientes em todos os momentos do cuidado de saúde.

•Solução 7 - Conexões corretas entre cateteres e sondas
A conexão inadequada de tubos, seringas e cateteres leva ao extravasamento de fluidos e medicamentos e provoca sérios danos aos pacientes, tais como flebite e necrose, que ocorrem, por exemplo, quando quimioterápicos são aplicados fora do vaso sanguíneo. Também tem sido relatada morte de pacientes por administração de fluidos orais por via intravenosa. Para minimizar esse problema, os dispositivos devem ter forma padronizada, a fim de garantir a impossibilidade de encaixe inadequado. É de suma importância que sejam garantidos o adequado manuseio por parte dos profissionais e o adequado posicionamento do paciente.

•Solução 8 - Uso único de dispositivos injetáveis.
A reutilização de seringas e agulhas contribui significativamente para a transmissão do vírus da AIDS e das Hepatites B e C. Estima-se que em 2000, nos países em desenvolvimento, 250 mil casos de infecção pelo HIV (5% do total), 22 milhões de casos novos de Hepatite B (um terço do total) e 2 milhões de Hepatite C (40% do total) foram decorrentes de reutilização desses dispositivos. Dessa forma, a solução proposta é usar uma única vez seringas e agulhas.

•Solução 9 - Higiene das mãos para prevenir infecção associada ao cuidado de saúde.
A higienização adequada das mãos é a medida mais importante, para prevenir e controlar infecções nos serviços de saúde. Apesar da reconhecida importância, as taxas de infecção variam de 5% a 20%. O desafio constante é colocar em prática os procedimentos que garantem a adequada higienização das mãos. Esse é o alvo da campanha da OMS “Salve vidas: higienize suas mãos”, que visa promover o incentivo e a sensibilização dos profissionais para a adesão à prática da higienização das mãos de forma constante e rotineira.  O Brasil é signatário dessa estratégia da OMS.


SEGURANÇA DO PACIENTE, uma urgência para os serviços de saúde.

Como já mencionado, os Hospitais são instituições inseguras e as iniciativas para a segurança do paciente vem crescendo, "tomando corpo" e atingindo maiores proporções, mas carecem, ainda, de apoio dos gestores da área da saúde, mais adesão e comprometimento dos profissionais com a disseminação das iniciativas de qualidade e práticas seguras no cuidado ao paciente, principalmente.
As iniciativas para o enfrentamento dos problemas relacionados à segurança do paciente e as propostas de soluções já implementadas nos serviços de saúde têm servido de inspiração para que organizações promovam iniciativas semelhantes.
A propagação destas ações precisa conquistar maior mobilização de gestores, além de profissionais, pacientes e da sociedade em geral. A urgência da questão se faz necessária para prevenirmos os danos e mortes decorrentes das práticas não seguras. É preciso avançar... É papel dos gestores e dos profissionais dos serviços de saúde planejar, implementar e monitorar os planos da melhoria da qualidade e segurança do paciente nos serviços de saúde, que contemplem as diretrizes aqui descritas.
Sem este apoio não alcançaremos o patamar da qualidade e segurança. 
À todos, vale a reflexão... até mais!



Não deixe de consultar: http://www.proqualis.br
                             http://www.who.int/en/
                                     http://new.paho.org/bra/

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Segurança do Paciente: A realidade e o contexto para a transformação... um pouco desta construção.



Observe as notícias abaixo:




Você poderia imaginar que estas situações ocorrem aos milhares, todos os dias, nos serviços de saúde, em todo o mundo?
Mas, ocorrem... e muitos de nós acaba tendo conhecimento somente através da mídia, dos meios de comunicação.

Todos sabemos que prestação de serviços na área da saúde depende intensivamente da complexa interação dos diversos fatores necessários ao cuidado do paciente, entre os quais: relacionamento entre pessoas (interpessoal), manuseio de materiais e insumos, medicamentos, equipamentos e instalações, e estas variáveis correlacionadas elevam a chance de algo sair errado. Desta forma, não nos cabe nenhum questionamento: a insegurança, ou melhor, o RISCO, é fator constante nas práticas assistenciais no mundo todo.

Nas últimas décadas, passou-se a reconhecer que as organizações de saúde não apenas curam doenças e aliviam a dor, mas também podem causar danos e sofrimento. Em 1999, o Institute of Medicine (IOM) lançou o relatório denominado "Errar é humano" (The Error is Human), onde apresentava e discutia  achados relacionados à falta de segurança nos hospitais americanos, em decorrência dos erros e falhas causados na assistência aos pacientes.
Este relatório foi um grande divisor de águas para que uma mobilização, não só nos Estados Unidos mas em todo o mundo, fosse iniciada e que ações de melhoria da qualidade na assistência de segurança do paciente ocupassem lugar nas pautas de discussões estratégicas dentro das instituições de saúde e fossem implementadas de forma imediata. Desde então, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem demonstrado sua preocupação com a segurança do paciente e adotou-a como tema de alta prioridade na agenda a partir do ano 2000.

Confrontada com a importante desta questão, a 55ª Assembléia Mundial de Saúde ocorrida em 2002, adotou uma resolução encorajando os países a prestar o máximo de atenção possível a este problema e a reforçar a segurança na assistência e estruturar sistemas de monitoramento. A resolução solicitou à OMS que liderasse a elaboração de normas e padrões mundiais e apoiasse os países nos esforços de desenvolvimento de políticas e práticas de segurança do Paciente.

Em parceria com outras instituições, o Instituto para a Melhoria de Cuidado à Saúde (Institute for Healthcare Improvement - IHI) instituiu, em 2004, a Campanha das 100 mil vidas, uma iniciativa voluntária, de caráter nacional nos Estados Unidos, que envolveu 3.100 hospitais (aproximadamente 75% dos leitos hospitalares) com o objetivo de reduzir 100 mil mortes desnecessárias num período de 18 meses (IHI, 2004). O resultado foi amplamente favorável, tanto que em 2006 a campanha foi praticamente reeditada com nova meta: evitar cinco milhões de casos de danos decorrentes da assistência em saúde, em um período de dois anos (dezembro de 2006 a dezembro de 2008), intitulada Campanha Cinco Milhões de Vidas.



Também em 2004, no mês de maio, a 57ª Assembléia Mundial de Saúde aprovou a criação de uma aliança internacional para tornar a segurança do paciente uma iniciativa mundial e, em outubro, foi lançada a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, onde, pela primeira vez, chefes de representações, autoridades e grupos de pacientes de todas as partes do mundo reuniram-se para promover este objetivo - “Primeiramente, não provocar danos” - e para reduzir conseqüências adversas causadas pela prestação de cuidados inseguros e pela má qualidade da assistência na saúde.


cartaz da Campanha

Esta aliança já nasceu com o foco em conscientizar e conquistar o compromisso político, lançando programas, gerando alertas sobre aspectos sistêmicos e técnicos e realizando campanhas internacionais que reúnem recomendações destinadas a garantir a segurança dos pacientes ao redor do mundo. Concentrou suas ações nas seguintes áreas: Desafio global para a Segurança do Paciente; Pacientes em Defesa de sua Própria Segurança, Taxonomia/Classificação Internacional para a Segurança do Paciente, Investigação, Soluções para a Segurança do Paciente e Notificação e Aprendizagem, entre outros (ver quadro abaixo) e publicou a cada dois anos um programa estabelecendo suas atividades.


Em 2005, a The Joint Commission, a mais importante organização de certificação de qualidade em assistência médico-hospitalar em todo o mundo, e seu braço internacional, a Joint Commission International (JCI), foram designadas como o Centro Colaborador da OMS em “Soluções para a Segurança do Paciente”, sendo papel desse Centro a elaboração e a difusão de soluções que visem a Segurança do Paciente.

A partir de 2008 a JCI recomendou a implantação de seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente, com o propósito promover melhorias específicas em áreas problemáticas na assistência, como estratégia para redução do risco de erros e eventos adversos em Instituições de Saúde. São elas:
Meta 1. Identificar os pacientes corretamente
Falhas na identificação do paciente podem resultar em erros de medicação; erros durante a transfusão de hemocomponentes e em testes diagnósticos; procedimentos realizados em pacientes errados e/ou em locais errados; entrega de bebês às famílias erradas; entre outros.
A identificação do paciente visa garantir a segurança do paciente em qualquer ambiente de cuidado à saúde, incluindo unidades de internação; pronto atendimento; coleta de exames laboratoriais; exames e procedimentos invasivos, sendo preconizado o uso de etiquetas ou pulseiras de identificação com a utilização de, no mínimo, dois identificadores (ex.: nome e data de nascimento).

Meta 2. Melhorar a comunicação efetiva
Uma comunicação efetiva, que seja oportuna, precisa, completa, sem ambiguidade e compreendida pelo receptor, reduz a ocorrência de erros e resulta na melhoria da segurança do paciente.
As comunicações mais propensas a erros são as prescrições verbais, e aquelas feitas por telefone, quando permitido pelas leis ou regulamentos locais. Outra comunicação suscetível a erros consiste na informação de resultados de exames críticos. É recomendada a adoção de um processo que garanta a anotação de toda a prescrição ou resultado de exame, pelo receptor da informação; a releitura da ordem ou resultado do exame por parte do receptor; e a confirmação de que o que foi anotado e lido está correto.

Meta 3. Melhorar a segurança dos medicamentos de alta vigilância
Medicamentos de alta vigilância são aqueles medicamentos associados a um porcentual elevado de erros, com risco mais elevado de resultados adversos, e medicamentos com aparência e nomes parecidos. Existem listas de medicamentos de alta vigilância disponíveis em instituições como a OMS e o Instituto de Práticas Seguras de Medicação (ISMP).
Para prevenir erros relacionados à administração indevida, estes medicamentos devem estar identificados (com rotulagem que o sinalize como medicamento de alta vigilância) e segregados, ou seja, armazenados em locais previamente definidos, de preferência fora das unidades de cuidado.

Meta 4. Assegurar cirurgias em local de intervenção correto, procedimento correto e paciente correto
Cirurgias ou procedimentos invasivos em locais ou membros errados são erros totalmente preveníveis, que ocorrem em função de falhas na comunicação e na informação.
A adoção do Protocolo Universal para prevenção de cirurgias com local de intervenção errado, procedimento errado ou pessoa errada criado pela Joint Commission visa prevenir erros desta natureza. Este protocolo inclui:
 Marcação do local da cirurgia ou do procedimento invasivo. A marcação recomendada é um círculo ou dois círculos circunscritos simulando um alvo. Cuidado! O uso de ataduras para enfaixar membros a serem operados NÃO é considerado método seguro de marcação do sítio cirúrgico.
Uma lista de verificação pré-operatória para confirmar que procedimentos importantes como a avaliação pré-anestésica, anamnese, exame físico e consentimento informado foram realizados.
-  TIME OUT, uma verificação final, feita no local onde a cirurgia ou o procedimento invasivo serão realizados, em voz alta, pela equipe responsável. Nesse momento, confirmamos a identificação do paciente, o procedimento e o sítio cirúrgico, utilizando técnicas de comunicação ativa entre todos os participantes da equipe.

Meta 5. Reduzir o risco de infecções associadas aos cuidados de saúde
A prevenção e o controle de infecções são um desafio para a maioria dos setores de cuidado à saúde, e as crescentes taxas de infecções associadas aos cuidados de saúde são uma grande preocupação para os pacientes e profissionais de saúde. A higiene adequada das mãos é essencial para a erradicação dessas e de outras infecções.
Diretrizes para a higiene das mãos reconhecidas internacionalmente são disponibilizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (US CDC) e por diversas outras instituições nacionais e internacionais e os serviços de saúde devem garantir a adoção destas estratégias e sua efetividade.

Meta 6. Reduzir o risco de lesões ao paciente decorrente de quedas
As quedas respondem por uma porção significativa de lesões em pacientes hospitalizados. É recomendada a definição e implementação de um protocolo de prevenção de quedas onde todos os pacientes sejam avaliados e reavaliados periodicamente em relação ao risco de queda, incluindo o risco potencial associado ao uso de medicamentos prescritos e a adoção de medidas para diminuir ou eliminar qualquer risco identificado, quando possível.

Em todo o mundo, muitos serviços de saúde vêm implementando estas ações para reduzir incidentes relacionados à assistência e garantir um cuidado seguro e efetivo. No Brasil, não vem sendo diferente... Muitas experiências neste sentido vêm sendo discutidas e implementadas, principalmente agora com o lançamento, pelo Ministério da Saúde, do PROGRAMA NACIONAL DE SEGURANÇA DO PACIENTE, em abril deste ano.        

Mas este é assunto para outro post...                                                                         
Não deixe de conhecer a Campanha das Metas Internacionais de Segurança do Paciente da Câmara Técnica da Qualidade e Segurança do Paciente dos Hospitais Federais no Rio de Janeiro, vinculada ao Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde em http://proqualis.net/blog/archives/3336/43